quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A web não deve ter versões

Fico inquieto quando leio algo sobre Web 2.0, Web 3.0. Na última conferência sobre o tema, em Sao Paulo, ouvi falar até da Web 4.0. Nos últimos anos, diversas áreas da tecnologia da informaçao evoluíram e algumas inovaçoes mudaram e estao mudando a forma de consumir a internet. No entanto, demarcar este movimento com versoes parece mais estratégico que histórico ou científico, uma forma de direcionar os holofotes - e os negócios - novamente para a internet, apagados com o estouro da bolha em 2000.

Vamos tentar separar as coisas. Os sites estao mais dinâmicos que nos primórdios da internet? Sim. E é só por isso que as pessoas estao se comunicando mais? Definitivamente nao. O aumento da troca de informaçoes na rede se dá porque mais pessoas estao entrando na internet. Nao só a nova geraçao, que já cresce com hábitos de consumo completamente diferentes das anteriores, mas os mais velhos, que estao vencendo as resistências dadas as vantagens proporcionadas pelo novo meio.

O ponto é que antes mesmo do estouro da bolha já existiam ferramentas colaborativas, ambientes interativos e tudo isto que estao dizendo que é 2.0. Porém, poucas pessoas sabiam usar estas ferramentas ou tinham interesse em aprendê-las. Na época, a sociedade nao impunha a tecnologia como agora, em que a internet se mostra indispensável. Novas ferramentas foram lançadas nos últimos anos, é verdade, mas o sucesso '2.0' se deu mais pela popularizaçao da Rede do que pela inovaçao destas ferramentas em relaçao às anteriores.

Entao tudo o que vendem como novidade na Web 2.0 é história? Também nao. Algumas evoluçoes - a palavra é evoluçao e nao revoluçao - indicam que realmente haverá mudanças de hábito na relaçao com a web, principalmente em enxergá-la como uma plataforma, e nao mais como um ambiente de consumo de informaçao apenas. O Google é a principal referência nesta linha de inovaçao e a mais citada na conferência em SP. Alguns produtos como o Gmail, Google Maps e Google Calendar estimulam o usuário a manter suas informaçoes no ambiente web.

O curioso é que o próprio Google faz questao de nao demarcar seus aplicativos online com versoes, tendo em sua maioria a palavra 'beta' incorporada aos produtos. Eu estranho que o maior representante da Web 2.0 faça questao de mostrar que caminha em outra linha - ser sempre beta, em constante evoluçao. Ou seja, é melhor pararmos de uma vez de definir versoes na Web e ficarmos com a Web beta, certo?

Renato Consentino bluebus 11/07/07

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